O asteroide mais estranho já visto
Às vezes, a linha que separa asteroide de cometa é um tanto “borrada”. Como exemplo, há o estranho asteroide Chiron. Descoberto em 1979 pelo astrônomo Charles T. Kowal, o objeto foi catalogado como o asteroide número 2060. Mas quase imediatamente, ele foi reconhecido como sendo um pouco estranho.

Primeiro, porque a sua órbita estava entre Urano e Saturno… muito mais longe do Sol do que qualquer outro asteroide. Ele também tinha o estranho hábito de mudar de brilho. Em 1988, os astrônomos William Hartmann e Dave Tholen notaram que Chiron era quase duas vezes mais brilhante do que deveria ser. A rocha continuou a clarear, tornando-se três vezes mais brilhante do que o habitual. O que estava acontecendo?

Órbita do asteroide Chiron
Posteriormente, astrônomos descobriram que Chiron continha uma grande quantidade de gelo, e como sua órbita é relativamente próxima do Sol, parte desse gelo torna-se gás. Uma enorme nuvem de gás e poeira se formou ao redor do asteroide. Com o efeito, Chiron tinha se transformado em um cometa.
Recentemente, astrônomos observaram um evento semelhante, mas ainda mais intrigante. Outro objeto foi analisado por um projeto do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, financiado conjuntamente pela Força Aérea dos EUA e pela NASA. Um de seus objetivos é detectar e catalogar asteroides perto da Terra que podem ser potencialmente perigosos.
Em 6 de janeiro, ele encontrou um objeto que foi catalogado como P/2010 A2. Este acabou por ser algo tão incomum que na semana passada o Telescópio Espacial Hubble focou nele. À primeira vista, parecia ser um cometa. Mas o núcleo de 140 metros estava encoberto por uma estrutura em forma de cauda muito incomum.

E não havia gás perceptível na cauda do objeto – gás característico da cauda de um cometa. Uma vez que P/2010 A2 está localizado no cinturão de asteroides, os cientistas especulam que ele pode ser resultado da colisão entre duas rochas espaciais. Tal colisão teria ocorrido a mais de 1.400 quilômetros por hora, cinco vezes a velocidade de uma bala de fuzil.
O evento teria liberado energia equivalente à uma bomba atômica, criando uma nuvem de poeira e detritos. Esta nuvem foi então fundida pela pressão, e se configurou como uma cauda.
P/2010 A2 dá aos cientistas um vislumbre do início da história de nosso sistema solar, quando colisões semelhantes entre planetesimais eventualmente criaram os planetas que conhecemos hoje, incluindo nossa própria Terra.
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