sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Para sair da Via Láctea você precisa alcançar 1,9 milhões de km/h

Está cansado da Via Láctea? Não aguenta mais acompanhar a rotação da Terra, o ciclo da Lua e a atividade do Sol? Viver em uma outra galáxia parece uma proposta interessante para você? Então se prepare para acelerar as coisas, literalmente.
Tilmann Piffl e sua equipe de cientistas do Leibniz Institute for Astrophysics em Potsdam, na Alemanha, descobriram que é preciso alcançar a impressionante velocidade de 1,9 milhões de quilômetros por hora para escapulir da Via Láctea.

Um pouco de matemática:

Para chegar nesse número estrondoso, os pesquisadores utilizaram dados do levantamento Radial Velocity Experiment (RAVE) e descobriram a velocidade de saída necessária para deixar a nossa galáxia. Ao analisar o movimento de 90 estrelas de alta velocidade e lançar mão de uma série de modelos teóricos complexos para calcular a massa da galáxia, a equipe chegou à velocidade em que os objetos seriam capazes de sair da Via Láctea.
Os resultados encontrados sugerem que uma aeronave precisaria alcançar a marca de 537 quilômetros por segundo – número que equivale a 1,9 milhões de quilômetros por hora e corresponde a 0,2% da velocidade da luz – caso quisesse escapar da força gravitacional da galáxia. Em termos de comparação, vale notar que um foguete precisa acelerar a 11,2 quilômetros por segundo apenas para conseguir sair da gravidade da Terra.
Mas se você acha que não vai conseguir alcançar a uma velocidade tão alta, o pesquisador Joss Bland-Hawthorn, da Universidade de Sidney, na Austrália, propõe outra solução para você sair da galáxia. O cientista acredita que um sistema de propulsão alimentado pela energia liberada a partir da combinação de matéria e antimatéria daria conta do recado. O único desafio seria criar e armazenar grandes quantidades de antimatéria, já que ela não existe no nosso planeta.

Se o Universo se expande, o que há do lado de fora?

Como escreveu Milan Kundera, "as únicas perguntas sérias são aquelas que até uma criança pode fazer". Dentro desse espírito, hoje olharemos para algumas dessas perguntas sobre o Universo.
O modelo do Big Bang usa observações para concluir que o Universo originou-se há 13,7 bilhões de anos e que vem se expandindo e esfriando desde então. Essa afirmação não é uma crença. Ela se baseia em evidências concretas. O princípio da ciência é "ver para crer" e não vice-versa.
Sabemos que o Universo está em expansão pois, ao medirmos a luz de galáxias distantes, vemos que ela é desviada em direção a maiores comprimentos de onda, como prevê o efeito Doppler. Imaginando a luz como uma onda (ou o fole de um acordeão), a expansão implica na maior separação entre os picos, causando mudanças na luz que é medida na Terra.
Essa expansão é uma dilatação do próprio espaço. Galáxias não são como os detritos de uma bomba que explodiu. Caso fossem, o Universo teria um centro onde tudo começou. Pelo contrário, todos os pontos no Cosmo são importantes, como na superfície de uma bola.
Imaginando as galáxias como moedas coladas à bola, quando ela infla, um observador em uma galáxia verá todas as outras afastando-se dele. Mas outros observadores em outras galáxias verão a mesma coisa: nenhum é mais central que os outros. Nosso Universo é assim, mas em três dimensões (a superfície da bola tem duas dimensões).

Mas se o Universo está se expandindo, o que há do lado de fora?

A confusão vem de vermos a expansão cósmica como uma bola imersa no espaço à sua volta. Vendo a superfície da bola como um Universo em duas dimensões, tudo o que existe é a superfície e nada mais: a bola infla e crescem as distâncias entre as moedas (as galáxias). Nada existe, ou precisa existir, do "lado de fora". O espaço nasce e cresce com a expansão.
A coisa é mais sutil pois, devido à velocidade da luz, só podemos ver até uma certa distância. Nosso "horizonte" chega a uns 42 bilhões de anos-luz, distância percorrida pela luz em 13,7 bilhões de anos. (Seriam 13,7 bilhões de anos-luz se o Universo não estivesse em expansão, mas a luz pega carona com a dilatação do espaço e viaja três vezes mais longe.) Portanto, pode haver bastante espaço "lá fora", além do horizonte, também em expansão.
Porém, ao voltarmos no tempo, a "bola" fica menor e as galáxias se apertam. O calor aumenta e a matéria se dissocia em seus constituintes básicos: de moléculas a átomos e, depois, outras partículas. Rapidamente, chegamos a uma época em que as energias estão além do que podemos testar em laboratório.
O que ocorreu no começo? Há duas escolhas: uma afirma que o Universo, como uma bolha em uma sopa fervendo, surgiu de uma flutuação submicroscópica, e que só então, quando a energia dessa bolha espacial transformou-se em matéria, o tempo começou. Não existia um "antes" pois não existia mudança alguma para ser quantificada.
Outra diz que o Universo é parte de um multiverso eterno, entidade em que todos os universos possíveis coexistem. O fascinante é que essa hipótese pode até ser verdadeira. Mas não sabemos como testá-la.

Astrônomos descobrem a maior estrutura conhecida do universo

Astrônomos descobriram uma estrutura assustadoramente grande em uma parte remota do Universo – uma extensão do espaço que é tão grande que a luz  demora 10 bilhões de anos para atravessar.
A descoberta representa um dilema para um princípio fundamental da cosmologia moderna, que postula que a matéria deve aparentar estar distribuída uniformemente se vista em uma escala grande o suficiente.
A estrutura recém-descoberta tem mais que o dobro do tamanho do recordista anterior, um grupo de 73 quasares conhecido como Grupo Quasar Huge-LQG, que se estende por quatro bilhões de anos-luz. A nova estrutura é seis vezes maior do que LQG, que tem 1,4 bilhões de anos luz de diâmetro.
Os cientistas descobriram a nova estrutura mapeando os locais das explosões de raios gama. Acredita-se que essas explosões fugazes, mas de alta energia, são originadas pela explosão de estrelas massivas.
Como estrelas maiores geralmente se formam em áreas com mais matéria, explosões de raios gama podem dar aos astrônomos uma estimativa aproximada de quanta matéria uma determinada região contém.
A nova região está a 10 bilhões de anos-luz (o que significa que estamos vendo a estrutura como ela era há 10 bilhões de anos), na direção da constelação de Hércules e Corona Borealis, que tinha um número desproporcional de explosões de raios gama.
Analisando os locais das explosões, os cientistas estimam que a estrutura de onde elas vieram se estende por cerca de 10 bilhões de anos-luz de diâmetro.
Os pesquisadores acreditam que a estrutura colossal seja uma grande concentração de aglomerados de galáxias. A monitorização adicional das explosões de raios gama deve fornecer mais evidências da existência da estrutura. Por enquanto, os pesquisadores dizem que “não têm idéia” de como algo tão grande poderia ter evoluído.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Astrofísica

Astrônomos confirmam (mais uma vez) teoria de Einstein

Dados obtidos a partir de uma estrela de nêutrons muito massiva mostram que teoria da relatividade geral, formulada por Albert Einstein, estava correta, mesmo em condições de gravidade extrema

Guilherme Rosa
sistema binário
A relatividade geral prevê que a gravidade é causada pela distorção que a massa causa no espaço-tempo. A imagem mostra como o sistema binário, formado por uma estrela de nêutrons e uma anã branca, modifica o tecido espaço-temporal à sua volta (ESO/L. Calçada)

Um raro par de estrelas, localizado a mais de 7.000 anos-luz da Terra, serviu como um laboratório cósmico para que um grupo de astrônomos estudasse a natureza da gravidade. Os pesquisadores usaram o Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, no Chile, e radiotelescópios espalhados ao redor do mundo para analisar o sistema binário, composto por uma estrela de nêutrons — a mais massiva encontrada até hoje — e uma estrela anã branca. A enorme gravidade provocada por esse sistema permitiu aos pesquisadores testarem a teoria da gravitação proposta por Albert Einstein, conhecida como relatividade geral, em condições que não tinham sido possíveis até hoje. Segundo um estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science, as primeiras medições estão totalmente de acordo com as previsões do físico, deixando pouco espaço para teorias alternativas.
Desde 2011, os astrônomos estudam o sistema, composto por dois cadáveres estelares. Uma estrela de nêutrons é resultado da explosão de uma supernova, na qual o centro estelar entra em colapso e forma um corpo pequeno, mas muito massivo. Os pulsos de ondas de rádio emitidas por esse novo corpo podem ser captados a partir da Terra com o auxílio de radiotelescópios — por isso, ele também é chamado de pulsar. A estrela de nêutrons estudada pelos pesquisadores é tão densa que tem uma massa duas vezes maior que a do Sol reunida em um diâmetro de apenas vinte quilômetros. Em seu interior, um espaço do tamanho de um cubo de açúcar reúne mais de um bilhão de toneladas de matéria comprimida. Tamanha densidade acarreta em uma enorme força gravitacional: a gravidade em sua superfície supera a da Terra em mais de 300 bilhões de vezes.
A sua companheira anã branca é um pouco menos exótica. Trata-se de um resto brilhante de uma estrela muito mais leve, que perdeu grande parte de sua massa e está se apagando lentamente. Ela está muito próxima à estrela de nêutrons — sua órbita é de apenas duas horas e meia — e sofre efeito de sua enorme gravidade. Ao contrário do pulsar, ela pode ser observada na luz visível, mas apenas por telescópios muito potentes.
A equipe combinou as observações da anã branca, obtidas pelo Very Large Telescope, com o sinal do pulsar obtido pelos radiotelescópios para estudar os limites das teorias físicas em ambientes de enorme gravidade. "Observei o sistema procurando por variações na radiação emitida pela anã branca, causadas por seu movimento em torno do pulsar. Uma análise rápida me fez perceber que o pulsar é um verdadeiro peso pesado. Ele é a estrela de nêutrons de maior massa conhecida até hoje e também um excelente laboratório para a física fundamental", diz John Antoniadis, pesquisador do Instituto Max Planck de Radioastronomia (MPIfR), na Alemanha, e autor da pesquisa.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Nasa lança sonda que tenta descobrir o que deu errado em Marte
Por que Marte não deu certo? Esta é, a grosso modo, a grande pergunta feita pela missão Maven, da Nasa, que será lançada na madrugada de segunda-feira. Estudos acharam indícios de que o planeta vermelho já teve muito azul no passado. 


Cientistas acreditam que Marte teve oceanos e céu azul no passado. Foto: Nasa / Divulgação
Foram descobertas substâncias que se formam apenas na presença de água líquida. Formações geológicas e simulações por computador indicam a presença de rios, lagos e até mesmo oceanos que montam um retrato completamente diferente do planeta do que temos hoje. Além disso, a atmosfera seria mais densa e quente, para permitir a água em estado líquido, com um céu de safira. O que falta descobrir é quando e o quê deu errado no nosso vizinho. 

Maven é a sigla em inglês para Evolução da Atmosfera e Voláteis de Marte (volátil é uma substância que evapora a temperatura relativamente baixa - e o que interessa mais aos cientistas é a água). A sonda será dotada de instrumentos como magnetômetro, espectrômetros e detectores de elétrons, íons e outras partículas do Sol. O estudo da influência solar se deve a teorias que indicam que nossa estrela teve um papel importante na "destruição" da atmosfera marciana. 

O planeta vermelho, quando era azul 

Os cientistas acreditam que, há bilhões de anos, Marte era bem diferente do que é hoje, com uma densa atmosfera que era quente o suficiente para manter oceanos de água líquida - um ingrediente essencial para a vida como conhecemos. Marte teria até mesmo um céu azul, como o da Terra.​ 

"Há canais dendríticos estruturados que, assim como na Terra, são consistentes com a erosão de superfície causada por fluxo de água", diz Joseph Grebowsky, do Centro Espacial Goddard, da Nasa. Segundo o cientista, em algumas crateras, há evidências de que se formaram lagos nos locais. Além disso, há minerais que se formam apenas na presença de água líquida, como hematitas. 

Na quarta-feira, a Nasa divulgou uma simulação que mostra como a quarta pedra do Sistema Solar seria há 4 bilhões de anos. De oceanos e céu azul, Marte se tornou no árido planeta vermelho que conhecemos hoje. 

Fonte: Terra

Cientistas identificam explosão mais brilhante já vista

Uma explosão cósmica provocou a morte de um estrela gigante que estava sendo estudada pelos cientistas.
A explosão da radiação, conhecida como explosão de raio gama, foi registrada no começo do ano por telescópios posicionados no espaço, e foi recentemente confirmada como a mais brilhante já vista.
Pesquisadores acreditam que a estrela possui de 20 a 30 vezes uma massa superior à do Sol.
As descobertas foram publicadas na revista científica "Science".

'Vivendo feliz'

Os pesquisadores afirmam que a luz da explosão demorou quatro bilhões de anos para chegar à Terra.
O astrônomo Paul O'Brein, da Universidade de Leicester, disse: "Esses acontecimentos podem ocorrer em qualquer galáxia a qualquer tempo. Mas não temos nenhuma forma de prever isso."
A explosão enorme da estrela foi captada pelos telescópios espaciais Swift e Fermi.
Ela teria durado menos de um minutos e espalhado radiação ao seu redor.
"A estrela estava 'vivendo feliz', fundindo matéria em seu centro. E de repente, acabou ficando sem 'combustível'", explica O'Brien.
O centro da estrela teria sido engolida por um buraco negro, liberando muita energia na explosão de raio gama.
Uma onda de explosão teria feito com que a estrela se expandisse, criando outro acontecimento visual, conhecido como supernova.
"Podemos ver a luz se apagando - o final dos dois acontecimentos - por semanas ou até mesmo meses."
Apesar de a explosão ter acontecido razoavelmente "perto" do planeta Terra, a radiação não traz qualquer tipo de perigo. A energia não seria capaz de atravessar a atmosfera do planeta com intensidade.
Mas caso a explosão tivesse acontecido a uma distância de mil anos luz, a radiação poderia danificar a camada de ozônio, o que teria consequências graves para a vida na Terra.
"A previsão é que deve ocorrer uma explosão de raio gama perto da Terra a ponto de nos colocar em perigo a cada 500 milhões de anos", diz O'Brien.
"Em algum momento na história da Terra, nós provavelmente fomos atingidos por radiação de uma explosão de raio gama, e isso vai voltar a acontecer em algum ponto no futuro. Mas as chances de isso acontecer durante o período em que estamos vivos agora são muito pequenas."

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Asteroide com seis caudas assombra cientistas
Um estranho asteroide que parece ter múltiplas caudas giratórias foi detectado pelo telescópio espacial Hubble, da Nasa, entre Marte e Júpiter, anunciaram astrônomos esta quinta-feira. 

Imagem do Hubble mostra o asteroide P/2013 P5, que surpreendeu cientistas por ter caudas, como um cometa. Foto: AFP
Ao invés de se parecer com um pequeno ponto de luz, como a maioria dos asteroides, este tem meia dúzia caudas de poeira parecidas com as dos cometas, similares aos raios de uma roda, reportaram os cientistas no periódico Astrophysical Journal Letters. 

"É difícil de acreditar que estamos olhando para um asteroide", disse o principal pesquisador, David Jewitt, professor do Departamento de Ciências da Terra e do Espaço na Universidade da Califórnia em Los Angeles. 

"Ficamos assombrados quando o vimos. Surpreendentemente, as estruturas de sua cauda mudam dramaticamente em apenas 13 dias à medida que libera poeira", acrescentou. 

O objeto foi denominado P/2013 P5, e os astrônomos acreditam que ele esteja cuspindo poeira por pelo menos cinco meses. 

O asteroide pode ter girado tão rápido que começou a se desintegrar, explicaram os cientistas. 

Eles não acreditam que as caudas tenham resultado de um impacto porque um evento assim faria a poeira se espalhar de uma vez. 

Suas múltiplas caudas foram descobertas em imagens captadas pelo telescópio Hubble em 10 de setembro passado, depois de ter sido detectado pela primeira vez por um telescópio no Havaí. 

Jewitt explicou que o objeto pode ter se originado da colisão de um asteroide 200 milhões de anos atrás. Seu padrão de poeira dispersa em espasmos e explosões pode significar que está morrendo lentamente. 

"Na astronomia, onde você encontra um, acaba encontrando mais um montão", afirmou. "É um objeto surpreendente e quase com certeza será o primeiro de muitos outros", prosseguiu. 

Fonte: Terra
Chuvas de meteoros são mais comuns do que se pensava, diz estudo
A ameaça de uma chuva de asteroides, como a que atingiu a Rússia em fevereiro deste ano, é muito maior do que se pensava anteriormente, sugere um estudo recém-publicado no periódico Nature. 

Em cidade russa, queda de meteoritos deixou mais de mil feridos. Foto: BBCBrasil.com
Pesquisadores descobriram que meteoritos similares aos que caíram sobre a cidade russa de Chelyabinsk têm entrado em colisão na atmosfera terrestre com uma frequência surpreendente. 

Alguns defendem a criação de sistemas de alerta para esse tipo de evento. "Provavelmente vale a pena ter algum sistema que 'escaneie' o céu de forma contínua e procure esses objetos antes que eles atinjam a Terra", disse Peter Brown, professor da Universidade de West Ontario (Canadá) ao programa Science in Action, do Serviço Mundial da BBC. "No caso de Chelyabinsk, um aviso prévio de alguns dias teria sido valioso." 

Estima-se que a chuva de meteoritos sobre a cidade russa tenha deixado mais de mil feridos. 

Poder energético 

O tamanho do corpo celeste que originou a chuva de meteoritos é estimado em 19 metros de largura e liberou energia mais poderosa do que a de uma arma nuclear. Agora, os cientistas acreditam que podem haver rochas especiais parecidas a ele em rota de colisão com a Terra. 

Uma equipe internacional analisou dados coletados nas duas últimas décadas por sensores usados pelo governo dos Estados Unidos e por sensores infravermelhos posicionados ao redor do mundo. 

Eles servem para detectar a ameaça de armas nucleares, mas também são capazes de identificar os choques causados pelo impacto de asteroides. 

Os pesquisadores descobriram que, nesse período, cerca de 60 asteroides de até 20 metros de largura se chocaram com a atmosfera terrestre - muito mais do que pensava anteriormente. A maioria passou despercebido porque explodiu sobre oceanos ou sobre áreas remotas. 

Risco subestimado 

A descoberta sugere que o risco de chuvas de asteroides como a de Chelyabinsk tem sido subestimado. Os pesquisadores acreditam que os choques desses asteroides são entre duas e dez vezes mais comuns do que se pensava antes a partir de observações telescópicas. 

"Imaginaríamos que (eventos como o de) Chelyabinsk só ocorreriam a cada 150 anos, com base em informações telescópicas", disse Brown. "Mas, quando você olha os dados e os extrapola, vê que isso ocorre mais ou menos a cada 30 anos." 

Eventos como o ocorrido na Sibéria, em 1908 - quando centenas de quilômetros quadrados de floresta foram devastados pela queda de um asteroide - provavelmente ocorrem a cada cento e poucos anos, em vez de a cada mil e poucos anos, acrescentou Brown. 

"Há literalmente milhões de objetos de dezenas de metros de comprimento que suspeitamos que sejam asteroides que podem se aproximar da Terra", declarou o professor. 

"Só descobrimos cerca de mil deles. Há muitos a serem descobertos, mas seria algo muito caro e que provavelmente não valeria a pena, já que a atmosfera para a maior parte deles. O que pode valer a pena é (criar) sistemas que identifiquem (os asteroides) alguns dias ou semanas antes de eles se chocarem, para que possamos saber onde eles vão atingir. Isso daria a chance de alertar autoridades de defesa civil." 

Fonte: Terra

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Descoberta a galáxia mais distante da Terra

Uma equipe de astrônomos americanos descobriu a galáxia mais distante que se tem conhecimento, cuja luz foi emitida quando o Universo só tinha 5% de sua idade atual de 13,8 bilhões de anos.
Batizada de z8-GND-5296, ela data de quando o Universo tinha apenas 700 milhões de anos, "o que a torna única, se comparada a outras descobertas similares, é que sua distância pôde ser confirmada por um espectrógrafo (equipamento que realiza um registro fotográfico de um espectro luminoso)", afirma o astrônomo Bahram Mobasher, da Universidade da Califórnia, um dos membros da equipe que publicou a descoberta nesta quarta-feira (23) na revista Nature.
A galáxia foi detectada por meio de imagens de infravermelho feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, e sua distância foi confirmada pelas observações realizadas com o sofisticado espectrógrafo Mosfire, operado a partir do Observatório W. M. Keck, no Havaí.
Estudar o surgimento das primeiras galáxias é difícil porque quando sua luz chega à Terra ela já se deslocou em direção à parte infravermelha do espectro devido à expansão do Universo, em um fenômeno chamado 'deslocamento ao vermelho' (redshift).
Por isso, os astrônomos utilizam espectrógrafos cada vez mais sensíveis e capazes de medir o deslocamento ao vermelho da luz da galáxia, que é proporcional à sua distância.
A equipe, liderada por Steven Finkelstein, da Universidade do Texas, e Dominik Riechers, da Universidade de Cornell (Nova York), observou também que a nova galáxia tem uma taxa de formação de estrelas "surpreendentemente alta", cerca de 300 vezes a massa do nosso Sol ao ano, em comparação com a Via Láctea, que forma somente duas ou três estrelas por ano.
"Estes descobrimentos fornecem pistas sobre o nascimento do Universo e sugerem que podem abrigar zonas com uma formação de estrelas mais intensa do que se imaginava", afirmou Finkelstein.
Com a construção de telescópios cada vez maiores no Havaí e no Chile e do telescópio James Webb no espaço, ao final desta década os astrônomos esperam descobrir mais galáxias a distâncias ainda maiores, comemorou Mobasher.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Um planeta boiando pelo espaço

Quando eu era mais novo e começava a me interessar por astronomia, as coisas eram bem mais simples. Estrelas eram gigantescas bolas de gás incandescentes, produzindo sua própria luz. Do mesmo disco em que as estrelas se formavam, planetas poderiam se formar, dando origem a sistemas planetários. Sem massa suficiente para iniciar a reação de fusão nuclear em seu interior, planetas estariam sempre associados a estrelas, refletindo sua luz no espaço.
Mas as coisas mudaram muito de lá para cá e ficaram mais complicadas, mas, principalmente, mais interessantes!
Primeiro que planetas começaram a pipocar ao redor de vários tipos de estrelas, desde estrelas quentes e jovens até estrelas mortas como pulsares. Planetas rochosos, gasosos, pequenos ou grandes foram sendo descobertos a partir da melhoria dos equipamentos e das técnicas de observação. Hoje já são mais de 700 confirmados e mais de 3 mil candidatos! Em segundo lugar, bem, aí vem o mais estranho.
Nesta semana, uma equipe da Universidade do Havaí anunciou a descoberta de um planeta vagando solitário pelo espaço. Esse objeto, chamado de PSO J3218.5-22 (PSO para os íntimos) foi encontrado na constelação de Capricórnio, em um esforço observacional para se detectar anãs marrons, um tipo de estrela que não conseguiu acumular matéria o suficiente para iniciar o processo de fusão nuclear. Apesar disso, as anãs marrons produzem radiação infravermelha, por causa da dinâmica de seus gases. O objeto PSO surgiu justamente dos catálogos produzidos na busca desse tipo de estrela. Aliás, esses catálogos têm, até agora, um tamanho de 4 mil Terabytes, mais que a soma de todos os livros já publicados, do que todos os filmes feitos e de todas as músicas já escritas!
Depois de detectado, esse objeto foi acompanhado por 2 anos seguidos, com observações precisas que permitiram deduzir que sua distância é de 80 anos luz apenas. Além disso, pelo seu movimento próprio, a equipe liderada por Michael Liu conseguiu deduzir que o PSO pertence a um conjunto de estrelas conhecido como “grupo móvel de Beta Pictoris”, que teria se formado há 12 milhões de anos.
Ninguém sabe ao certo como esse planeta teria se formado, a primeira hipótese é ele teria sido formado junto com as estrelas desse grupo e, por interações gravitacionais mútuas, teria sido “estilingado” do sistema. Essa hipótese encontra resistência por que o PSO tem 12 milhões de anos também.
Outra ideia é que o planeta tenha se formado a partir do colapso de uma nuvem de gás, tal qual o processo de formação de uma estrela, mas em escala menor. Apesar de a ideia ser um tanto estranha, isso já foi observado, pelo menos uma vez, é o caso de OTS44. Esse objeto está cercado por uma nuvem e é possível observar gás caindo em direção a ele. OTS44 tem, no máximo, 2 milhões de anos apenas e estaria ainda em processo de acúmulo de matéria.
Esses dois objetos são considerados planetas, mas tem gente que torce o nariz. Planetas se formam e, ao menos em princípio, se mantêm ao redor de estrelas. O processo de formação através do colapso de uma nuvem é a descrição do processo de formação de estrelas. Em termos de massa, há um consenso, não muito firme, de que objetos com mais de 12 vezes a massa de Júpiter deveriam ser considerados estrelas, apesar de alguns catálogos listarem planetas com 24 vezes a massa de Júpiter. OTS44 tem massa de estrela (12 massas de Júpiter) e se forma como estrela, mas ainda assim é considerado planeta. Já PSO tem apenas 6 massas de Júpiter, o que o deixa definitivamente na classe de planetas. Se ele se formou como OTS44 está se formando, então as teorias de formação de planetas vão precisar de uma boa revisão.
Além de ser um caso interessante, PSO deve ser o planeta solitário menos massivo conhecido até agora, sua descoberta abre excelentes perspectivas para o estudo de exoplanetas. Obter uma imagem de um exoplaneta é muito difícil, pois o brilho da estrela é muito maior, o que o ofusca. Estudos da atmosfera dos exoplanetas descobertos até agora foram feitos de forma indireta. Agora, a descoberta de PSO nos dá a oportunidade de estudar não só a composição química, mas também a dinâmica de atmosferas dos exoplanetas de maneira direta.